quarta-feira, 1 de julho de 2009

Esporte: Ferramenta de Inclusão

Se para você, Esporte é apenas competição, saiba que ele vai muito além das disputas dentro dos estádios e ginásios. Cada vez mais cresce a importância do Esporte como ferramenta de inclusão social. Mostra disso é que 2005 foi escolhido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o "Ano do Esporte para a Paz e o Desenvolvimento". Esse movimento também chegou às instituições de Ensino Superior, que têm investido em projetos sociais dessa natureza. "Muitos países enfrentam marginalização do sistema de educação. A ONU observou que o esporte, mesmo que tenha como princípio o desenvolvimento físico e da saúde, serve também para a aquisição de valores necessários para coesão social e mundial", acrescenta o coordenador do projeto Mini-Tênis da URI-SAN (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões), José Luiz Dalla Costa. "O esporte é uma ferramenta que, aliado à educação, serviria realmente como ferramenta de inclusão" Esses projetos nascem, em geral, dentro dos departamentos de Esportes, ou Educação Física, como uma oportunidade para que os alunos coloquem em prática o que aprendem na sala de aula, ao mesmo tempo em que praticam uma ação social. "A universidade tem um retorno muito positivo, pois os graduandos aprendem na prática. Na sala de aula eles vêem a teoria, e nos nossos projetos, convivem com a aplicação rotineira. Estendemos à comunidade o projeto e essa presença nos dá resultado", explica a coordenadora do curso de Educação Física da Unopar (Universidade do norte do Paraná), Márcia Regina Aversani Lourenço. As experiências com projetos sociais ligados ao Esporte mostram que a atividade física, em especial no que diz respeito aos mais jovens, tem um fator motivador extremamente positivo. Assim, se bem trabalhado, o projeto extrapola - e muito - a esfera da competição esportiva. Os efeitos são sentidos no dia-a-dia, com crianças e adolescentes mais concentradas nas aulas, disciplinadas e, principalmente, fora das ruas. Em muitos casos, inclusive, os projetos não se restringem apenas ao treinamento esportivo. Criado em 2001, o Projeto Cestinha, ligado à Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul), atende a mais de 300 crianças. Além de aprender os segredos do Basquete, as crianças têm aulas de informática e inglês, além de um trabalho especial de orientação que é feito junto aos pais. "O Esporte é importante porque dá oportunidade a um maior número de crianças. Se você deixar o menor apenas jogando, sem acrescer alguma filosofia, não adianta nada", diz o coordenador da iniciativa, Gilmar Weiss. "É preciso agregar valores, não apenas tratar de habilidades e capacidades cognitivas." Projetos dessa natureza em universidade atendem a crianças, adolescentes, jovens e até mesmo idosos. É importante lembrar que o conceito de "inclusão social" não diz respeito apenas à questão financeira, mas de trazer para a comunidade pessoas que estão à margem da sociedade, seja na questão de estudos, no relacionamento interpessoal, no acesso ao sistema de saúde ou mesmo excluídas da prática esportiva. Essa inclusão ampla é o que busca, por exemplo, o projeto "Arte e Vida em Movimento com o Karatê", sustentado pela Unopar e que atende a portadores de Síndrome de Down. Periodicamente, professores e alunos da instituição vão à escolas para crianças excepcionais, onde ensinam a prática do Karatê. "Neste projeto, o profissional vai à escola, levando possibilidades de cultura diferenciadas. Nesse exercício, entram elementos como concentração, análise do movimento que está sendo executado, trabalho em parceria com o colega", afirma Márcia, da Unopar. Para quem está interessado, vale procurar em sua universidade se existe alguma iniciativa. Os projetos atuais, porém, são um tanto pontuais. "Ainda são ações isoladas, que dependem da boa vontade das pessoas. Precisamos de apoio dos governos, em todos os níveis, com incentivo para essas políticas para que tenhamos resultados de futuro para essas crianças e adolescentes dentro da escola", finaliza Dalla Costa.

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